Líder opositor venezuelano, Juan Guaidó cumprimenta multidão durante protesto contra Nicolás Maduro em Caracas Foto: ANDRES MARTINEZ CASARES / REUTERS
Líder opositor venezuelano, Juan Guaidó cumprimenta multidão durante protesto contra Nicolás Maduro em Caracas Foto: ANDRES MARTINEZ CASARES / REUTERS

MADRI — Encerrado domingo o prazo do ultimato dado pelos europeus para o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, admitir a organização de novas eleições no país, sete Estados europeus reconheceram, nesta segunda-feira, o opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. A Espanha foi o primeiro país a oficializar o apoio ao líder da Assembleia Nacional venezuelana, seguido por Reino Unido, Suécia, Dinamarca, França, Áustria e Alemanha.

Os europeus pressionavam para que Maduro concordasse com um novo pleito presidencial como saída para a crise que assola o país sul-americano. Diferentemente de Estados Unidos, Brasil e outros 16 Estados que já haviam reconhecido a autoridade de Guaidó, os europeus reforçaram que o líder opositor deve conduzir o país a novas eleições o mais rápido possível.

— O governo da Espanha anuncia que reconhece oficialmente o presidente da Assembleia da Venezuela, o senhor Guaidó, como presidente encarregado da Venezuela para que convoque eleições presidenciais no menor prazo de tempo possível — afirmou Sánchez em discurso no Palácio de Moncloa.

Em gesto simbólico, não vinculante aos membros do continente, o Parlamento europeu aprovou na quinta-feira uma resolução em que reconhecia a autoridade Guaidó, já apoiado por EUA, Brasil, Colômbia e outros 16 países. O ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Hunt, destacou que, a partir desta segunda-feira, Londres reconhecerá o líder opositor como “presidente constitucional interino” na Venezuela.

“Maduro não convocou eleições presidenciais no prazo de 8 dias que fixamos. Assim, o Reino Unido, junto a seus aliados europeus, reconhece agora Juan Guaidó como presidente constitucional interino até que se possa celebrar eleições críveis”, escreveu Hunt no Twitter.

O Ministério de Relações Exteriores da Dinamarca também confirmou apoio ao opositor “até novas e livres eleições democráticas” no país sul-americano. O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, ressaltou que Guaidó “conta com o pleno apoio” do país para restabelecer a democracia na Venezuela, que, segundo ele, “sofre há tempos demais com a má gestão socialista e a ausência de Estado de direito”. O porta-voz do governo alemão anunciou apoio a Guaidó. A chanceler alemã, Angela Merkel, está em viagem ao Japão, que emitiu nota de apelo por solução “estável e democrática” na Venezuela.

O chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, destacou nesta segunda-feira que a França consultaria outros países europeus sobre o reconhecimento de Guaidó como presidente interino da Venezuela, mas logo destacou que o líder opositor tinha “capacidade e legitimidade” para organizar um novo pleito na Venezuela. Na sequência, o presidente francês, Emmanuel Macron, oficializou o apoio a Guaidó no Twitter.

“Os venezuelanos têm direito de se expressar livremente e democraticamente. A França reconhece Juan Guaidó como ‘presidente encarregado’ para implementar um processo eleitoral. Apoiamos o grupo de contato, criado com a União Europeia, neste período de transição”, escreveu Macron no Twitter.

No dia em que se encerrou o prazo do ultimato europeu, a União Europeia anunciou que será coanfitriã de uma reunião do grupo de diálogo criado pelo bloco para a crise da Venezuela, ao lado do Uruguai. Estarão presentes ainda chanceleres da Bolívia, da Costa Rica e do Equador na reunião inaugural de quinta-feira, em Montevidéu. Maduro destacou apoiar a “boa iniciativa” do grupo. O anúncio expôs a dissonância de tom do bloco em relação à abordagem dos Estados Unidos, que rejeita qualquer negociação com o líder bolivariano. Neste domingo, o presidente americano, Donald Trump, reconheceu que uma intervenção militar “é uma opção” para a crise.

Rússia critica ‘interferência’ europeia

Além da Espanha, Reino Unido e França, Alemanha, Portugal e Holanda exigiram que Maduro anunciasse novas eleições presidenciais até o fim de domingo — caso contrário, reconheceriam a autoridade do opositor. A Áustria se uniu ao grupo neste domingo. Em entrevista à rede espanhola La Sexta, o líder bolivariano rechaçou o ultimato europeu e prometeu “não dar o braço a torcer por covardia”.

— Por que a União Europeia tem que dizer a um país do mundo que já fez eleições que tem que repetir suas eleições presidenciais porque não ganharam seus aliados de direita? — questionou Maduro, entrevistado em Caracas pelo jornalista Jordi Évole.

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