Hugo Dias Fisioterapeuta que foi assassinado na madrugada de 13 de maio

Eram meados de 90, a canção Believe da cantora Cher explodia nas rádios e TVs do planeta. A pacata Parintins acompanhava o hit de forma comportada e provinciana de uma cidade tradicionalmente cristã.
A juventude que frequentava a tradicional AABB se dourava nas manhãs e tardes do fim de semana, para encontros fabulosos com a galera da Associação Comercial de Parintins.
O Clube que reunia as tribos, atendia por nome de Show Clube Ilha verde, e o transporte que conduzia essa galera era a Dream da Honda, 100 cilindradas, ou uma bike guidon reto para os menos abastados. Apesar da diferença do transporte, o amor existia, e não havia nada mais romântico do que ver um amigo levando o outro em pedaladas duplas, claro sem antes o condutor mencionar: ” empurra e pula”. A Parintins fascinante tinha dessas coisas.
Vivi uma Cidade de amor, onde se marcava encontros para chegar juntos ao Colégio, caminhando e ora outra, furtando algumas goiabas dos Azêdos que caiam as pencas na Marechal Castelo Branco. Épocas que se dividiam lanches, se dava carona, se compartilhava afeto. Épocas de amizades sem interesse, sem derrubação e sem nuvens negras. Épocas de com R$5,00 reais, você comprava 3 caipirinhas e sincronizadamente arriscava uma coreografia do momento e dançava a noite toda, com a soquete branca marcada no salão escuro, onde o neon não refletiam apenas as meias, mais sorrisos largos e verdadeiros.
Acompanhei uma geração interessante, não apenas no aspecto religioso, mas cultural. A conversa rendia até as 2h para os mais recatados, que se deliciavam com os hot dogs da Avenida Amazonas rumando as suas residências. Os concursos Garotos e Garotas estudantis, os Jogos Escolares, os concursos de danças, faziam uma Parintins florescer culturalmente, infelizmente o glamour se perdeu com o descaso, as transformações no sistema cultural brasileiro tornou o jovem um ser patético que o obrigou a “descer” na boquinha da garrafa literalmente, e usar termos chulas como “balançar a raba”. O “chupa que é de uva” afetou profundamente o país da Bossa Nova e MPB…pra completar ou justificar, nasce o Enem…( por favor, não polemizem…me poupem).
Os tempos mudaram, e iniciei esse texto citando a Cher, para perguntar de todos vocês que assistiram a partida prematura desse rapaz, quando na Canção ela pergunta:
“Do you believe in life after love?”
Traduzindo: “Você acredita em vida após o amor???” . Eu sim, porque só o amor transforma as pessoas.
Meus pêsames a família do Hugo*.
Estou triste…

*Hugo Dias morto na madrugada de 13 de maio em Parintins.

texto:  Inaldo Albuquerque ( Autor é Bacharel em Turismo e Tecnólogo em Gestão Ambiental também Chefe do Departamento administrativo da Secretaria de Meio Ambiente/ Depto de Educação Ambiental na empresa Prefeitura Municipal de Parintins) 

Que Tempo Bom