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terça-feira, abril 13, 2021

Perfil dos novos comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica do Brasil no governo Bolsonaro

BRASÍLIA – Escolhido como novo comandante do Exército, o general Paulo Sérgio Nogueira diverge da postura adotada pelo presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia da Covid-19. Responsável pelo Departamento-Geral do Pessoal do Exército, função administrativa, o general afirma que a aplicação de medidas sanitárias e de conscientização ajudou reduzir o índice de contaminação e letalidade nos quartéis em relação ao restante do Brasil.

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, no último final de semana, Nogueira conta que utiliza um sistema de escala com maior alternância de turnos presenciais para reduzir chances de aglomeração no trabalho. Além disso, integrantes do grupo de risco passaram a trabalhar em home office. As cerimônias também foram suspensas e há campanhas massivas pelo distanciamento social, o uso de máscaras e higienização das mãos.

Na conversa, o general avaliou que o Brasil precisa estar preparado para uma possível terceira onda do novo coronavírus que poderia ocorrer dentro de dois meses. Para ele, as mortes diárias decorrentes da doença no país atualmente representam “números de guerra”. As falas desagradaram o Palácio do Planalto.

Nas redes sociais, o general também destaca as ações de proteção contra a Covid-19, com visitas técnicas a batalhões e hospitais militares para verificar as medidas adotadas.

“Seriedade, responsabilidade e cuidado com a saúde de nossa gente. Em todo início de ano um novo contingente de soldados é incorporado ao Exército para a prestação do serviço militar. Com a pandemia, rigoroso protocolo de segurança foi seguido, inclusive com a testagem para COVID”, escreveu em publicação feita em 4 de março.

Em outra publicação, no mesmo mês, ele ressaltou que o desemprego e as perdas em tempos de pandemia fazem com que o cuidado com a saúde mental tenha que ser redobrado.

No início do ano, a morte do general Geraldo Antonio Miotto, ex-comandante do Comando Militar do Sul, vítima do novo coronavírus, foi marcante para Nogueira que, na época, disse ter perdido um amigo.

Apesar de substituir o general Edson Pujol no comando do Exército, que teve uma série de desentendimentos com o presidente Jair Bolsonaro, ele é próximo ao antecessor. Também tem boa relação com o ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

O general José Luiz Freitas, comandante de Operações Terrestres do Exército, disse que o general Paulo Sérgio é uma “excepcional figura humana e profissional exemplar”.

A escolha, além de agradar o Alto Comando do Exército, também respeita a hierarquia da instituição, algo que chegou a ser colocado em cheque no processo. O nomeado era o terceiro pelo critério de antiguidade. Por ter sido criticado pelo Palácio do Planalto, também reforça a mensagem de que a instituição não tem alinhamento político com o governo.

Nogueira ingressou no Exército em 1974. Três anos depois, foi para a Academia Militar das Agulhas Negras, no mesmo ano em que o presidente Jair Bolsonaro se formava na instituição.

Em outra frente, o novo comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Baptista Jr., possui um alinhamento mais claro ao presidente Jair Bolsonaro. Ativo nas redes sociais, ele destaca o número vacinados contra a Covid-19 em suas publicações. Como mostrou a coluna de Miriam Leitão, ele também compartilhou vídeos com “sete motivos para acreditar no fim da pandemia”, mas também criticou a aglomeração de jovens.

Em novembro, Baptista Jr. retuitou comentário que garantia que o presidente americano Donald Trump seria reeleito. Em fevereiro, postou que “a primeira indicação que fazia” para os seus seguidores era do secretário da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que se refere ao movimento negro como “escória maldita”. Segundo Baptista Jr., Oliveira “o faz pensar sobre temas de grande importância”. Além disso, também já compartilhou comentários críticos à imprensa.

Com 46 anos de carreira militar, Baptista Junior ingressou na Força Aérea Brasileira em 1975 e foi promovido ao posto de Tenente-Brigadeiro em 2018. Atualmente, ele é o Comandante do Comando-Geral de Apoio.

Com perfil mais discreto e moderado, o almirante de esquadra Almir Garnier Santos foi escolhido como novo comandante da Marinha. O seu último cargo era de Secretário-Geral do Ministério da Defesa, o que indica a sua proximidade com o ex-ministro Fernando Azevedo. Ele entrou na carreira militar como guarda-marinha em 1981 e foi promovido a almirante de esquadra em 2018.

O novo comandante já assessorou os ex-ministros Celso Amorim, Jaques Wagner e Aldo Rebelo, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e o ex-ministro Raul Jungmann, na gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB).

TEXTO: Julia Lindner

O GLOBO

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