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quarta-feira, junho 23, 2021

Os foguetes do terror, a resposta de Israel e a paz distante

O risco de um conflito em grande escala entre as forças israelenses e os terroristas do Hamas e do Jihad Islâmica, que dominam a Faixa de Gaza, cresceu nos últimos dias com a insistente ofensiva dos grupos palestinos, que vêm lançando centenas de foguetes sobre o território de Israel, sem discriminar entre alvos militares e civis. A resposta israelense tem sido a realização de ataques aéreos contra alvos identificados como instalações terroristas, que no entanto também têm resultado na morte de civis, de acordo com os palestinos. O saldo de vítimas do lado israelense só não é maior porque o país montou um sofisticado sistema de defesa contra ataques de mísseis, o Iron Dome, embora alguns poucos foguetes jihadistas consigam furar o bloqueio.

O atual conflito não tem um único estopim. Quase que simultaneamente, houve uma decisão judicial em favor de colonos israelenses em Jerusalém Oriental, conflitos entre a polícia de Israel e manifestantes palestinos, e uma incursão policial na mesquita de Al-Aqsa, local sagrado para os muçulmanos. Todos os eventos guardam relação entre si, embora seja difícil definir com exatidão a partir de que ponto a situação escapou do controle, degenerando para os ataques com foguetes lançados a partir de Gaza e a escalada de hostilidades entre árabes e judeus em cidades com população mais heterogênea, como Lod, que está em estado de emergência e cujo prefeito descreveu a situação como sendo de “guerra civil”. Nesses locais, grupos extremistas de ambos os lados vêm insuflando a violência.

O direito de Israel à autodefesa não se limita a tentar destruir o máximo de foguetes inimigos; o país também pode tentar eliminar a origem dos ataques, visando as instalações terroristas

A forte discrepância no número de vítimas de cada lado pode levar ao raciocínio fácil de que a reação israelense tem sido extremamente desproporcional, mas há uma série de fatores a ponderar no modus operandi dos envolvidos no conflito. O Hamas e a Jihad Islâmica, como acabamos de afirmar, não distinguem alvos, lançando seus foguetes igualmente sobre militares e civis – estes, naturalmente, acabam sofrendo a maior parte dos efeitos da campanha terrorista, ainda que com um número baixo de vítimas. Israel tem respondido não com bombardeio indiscriminado, mas buscando atingir apenas alvos dos grupos jihadistas. No entanto, o fato de Hamas e Jihad Islâmica usarem todo tipo de edifício civil – até mesmo hospitais e escolas – como base para suas atividades, aproveitando-se do caos urbano de uma Gaza densamente povoada, faz de qualquer resposta israelense uma ocasião para que haja inúmeras vítimas civis, embora Israel alegue que os moradores das proximidades sempre são avisados antes de um ataque para que deixem a área visada.

O direito de Israel à autodefesa não se limita a tentar destruir o máximo de foguetes inimigos; o país também pode tentar eliminar a origem dos ataques, visando as instalações terroristas. Mas mesmo aqueles para quem Israel não faz o suficiente para evitar mortes de civis – por exemplo, adotando incursões terrestres em vez de ataques aéreos para reduzir o risco de vítimas palestinas sem ligação com o terror – terão de admitir que os métodos do Hamas e da Jihad Islâmica são de uma natureza muito mais nefasta, e que nem mesmo eventuais injustiças cometidas nas reintegrações de posse em Jerusalém Oriental são motivo para se disparar centenas de foguetes contra território israelense.

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