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Memórias: Wilson Nogueira recorda fatos da carreira de 40 anos no Jornalismo Amazonense  

O pós-doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Wilson de Souza Nogueira, 62 anos, jornalista, escritor, professor e caboclo do Paraná do Xibuí, interior de Parintins, prepara mais um livro. Saindo do ‘forno’, deve ser lançando nesse ano de 2021 “Memórias”, título provisório. 

Nesse trabalho, Wilson Nogueira contará fatos vivenciados em mais de 40  anos de atuação no jornalismo amazonense. Wilson é atualmente dono e editor chefe do site AmazonAmazonia , professor da UFAM e amante dos ecossistemas da Amazônia.

Doutor Wilson Nogueira comandou a redação dos principais Jornais Impressos de Manaus. Nunca gostou de trabalho burocrático, gosta de inovar e reinventar-se. 

Ao site KOIOTE, Nogueira revelou que a construção de ‘Memórias’ trás bastidores das redações pela qual passou, seja como repórter, editor chefe, chefe de redação ou diretor.  

Pela ‘bagagem’ de Wilson Nogueira, o novo livro sem dúvida será uma enciclopédia descritiva. “Nunca ninguém escreveu a história do jornalismo no Amazonas como eu estou escrevendo de forma particular. Minhas memórias são a partir da vivência dentro da redação e o convívio com os donos. O Projeto está em andamento”, diz Nogueira.

O comunicador foi diretor do Jornal do Commercio na época nas mãos do empresário e jornalista Epaminondas Baraúna; diretor do Jornal Acrítica do empresário Humberto Caderaro e depois sob comando de Rita Calderaro; Amazonas Em Tempo de propriedade na época da empresária e jornalista Hermengarda Junqueira e foi diretor no Jornal Diário do Amazonas, do empresário Francisco Cirilo. 

Coisas engraçadas também, tipo a primeira vez que  Wilson Nogueira foi chamado na sala do empresário Humberto Calderaro e detalhes da cobertura feita durante protesto na cidade de Humaitá, na qual até a casa do prefeito foi queimada na década de 90, tem espaço nas Memórias. 

“Vinha chegando na redação e no rádio estava dando sobre o começo de um quebra-quebra na Cidade de Humaitá. Montamos na hora uma equipe. Naquela época não tinha como enviar fotos como hoje. Hoje é muito fácil. Mas na época não. Tinha de ir ao local, fazer o serviço e trazer para revelar no laboratório. Alugamos uma avião para fazer a matéria. No outro dia saímos com quase um caderno feito pelo Eduardo Visconde e outros colegas. O diretor de redação era o Frânio Lima. Mas todo mundo na redação dizia que eu seria demitido por causa disso. De fazer o aluguel do avião. Pela primeira vez fui chamado e conversei com seu Humberto Calderaro. Não fui demitido e demos um show de cobertura”, relembra.

De acordo com Nogueira, o primeiro jornalista a fazer notícias sobre o Festival de Parintins e escrever sobre o show dos artistas de Caprichoso e Garantido foi o grande João Pinduca Rodrigues, o Pinducão, que era fotógrafo. Isso ainda no começo no começo da década 70. 

“O Pinducão viajava em junho pra Parintins e voltava com notas e fotografias sobre o festival. Ele foi o primeiro profissional de imprensa a colocar o Festival de Parintins na mídia imprensa de Manaus naquele tempo. Depois que vieram os demais e na década de 90 o Boi chegou com a força dos Movimentos na TV Lândia”, comentou Wilson, adiantando que vem muita coisa armazenada na mente dele para ser contada. 

“Vou tratar sobre a questão da Acrítica com políticos como Eduardo Braga, Amazonino Mendes, Gilberto Mestrinho,  Arthur Neto, Serafim Corrêa dessa dinâmica com a mídia interna. Tive de sair de empregos devido à questões políticas mais de uma vez. Lembro dos bastidores de alguns processos políticos no Amazonas e como foi a reformulação nas redações e projetos de mudança dos jornais impressos da qual eu participei”, adianta. 

Passagem de lutas sindicais no Sindicato dos Jornalistas do Amazonas na década de 80 também são destaques no livro.

“Em 1987, o empresário Marcílio Junqueira, homem bem de vida deu a  dona  Hermengarda Junqueira, um jornal. O Jornal Amazonas Em Tempo. E o jornalista Carlos Honorato me chamou para participar da equipe primeira. Criamos todo o projeto da redação. Começamos a montar tudo em julho daquele ano até que saiu as primeiras edições alguns meses depois”, relata Wilson.

Nogueira e dona Rosário com outros jornalistas de Manaus (arquivo jornalista Lucia Carla Gama)

Wilson do Xibuí  

Nascido na Baixa da Xanda em 08 de setembro de 1958, Wilson  Nogueira passou a infância no Rio Uaicurapá, na Comunidade do Jará, “Fazenda do Pompilho”, até os 6 anos. Depois foi morar com os pais na Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Paraná do Xibuí até os 9 anos. “Até hoje tenho terreno no Xibuí e quando posso volto para aquele local”, diz. 

A partir dos 10 anos Nogueira foi para a área urbana de Parintins e morou com a família do japonês Homero Hidaka. Também tinha auxilio do tio Elcio Martins. Estudou no barracão escolar que ficava no “Terreiro do Garantido”, atual Curralzinho da Baixa. 

“Fui alfabetizado pela professora Alexandrina Monteverde, filha do mestre Lindolfo Marinho da Silva, o Lindolfo Monteverde criador do Boi Garantido. O Barracão escolar era mantido pelo projeto Escolas Reunidas, do ex-deputado Federal Rafael Faraco, que era ligado aos Padres do PIME”, lembra. 

Wilson é caboclo “arrojado” e o primeiro filho do seu Adolfo Farias Nogueira, manauara do bairro do Educandos, que  era maquinista, e da dona Júlia de Souza Nogueira ,da família “Simas/Paca” do Xibuí. Tem mais dois irmãos e cinco irmãs.

Wilson Nogueira e professora Rosário na feira japonesa Studio 5 Manaus

Jornalismo na veia 

O tino de comunicador de Wilson Nogueira aflora ainda na época de estudante, em Parintins. No começo da década de 70, na Escola São José Operário, Nogueira e o colega Dulcimar Vaz de Campos fundam o pequeno jornal informativo “O Malho”. Com notas de cotidiano escolar e, claro, malhar alguns professores e alunos. As tiragens do jornal “O Malho” era no papel extenso a álcool no mimeógrafo da escola, as escondidas. Não demorou muito para os ‘donos’ do jornal visitarem a sala da diretora e levar suspensão e até ameaça de expulsão. “Deu até caso de pronunciamento na Câmara de Parintins. Relatado pelo vereador na época José Maria Pinheiro, o Foguete da Verdade”, conta. Meses depois do episódio, o pai de Dulcimar, o senhor Dulcídio Vaz de Campos, fundou o  Jornal  impresso o Médio Amazonas. Wilson Nogueira e outros jovens sempre escreviam para o ‘periódico hebdomadário’, de Mister D Campos, nos primeiros anos. 

Nogueira também esteve no Serviço de Alto Falante de propaganda do radialista José Maria Pinheiro.  Ele era um dos jovem que fazia a propaganda no veículo. Dessa forma em 1975, o jovem Wilson começou a atuar como radialista no programa do Grupo de Jovens da Paróquia de São José, Rádio Alvorada AM 1.380 de Parintins. Integrante dos Grupos de Jovem, Wilson Nogueira ajudou a quebrar as pedras para Construir a Igreja de São José, na época do Padre Augusto Gianola. O missionário do PIME Augusto Gianola que era sacerdote, alpinista e eremita ajudou a organizar o Festival Folclórico de Parintins em 1965, através da JAC.  

Doutor Wilson Nogueira na redação do AmazONamazônia

Dono do Alto Falante “Super Som”

Na baixa de São José, ainda em Parintins, Wilson Nogueira comprou um transmissor e a boca de ferro e montou  a estação de alto falante de nome “Super Som”, que funcionava ao lado do antigo Curralzinho do Garantido.  

Os recursos da compra para a estação “Super Som” foram doados pelo japonês Homero Hidaka. “Foi uma experiência frustrante, pois não demorou muito devido oscilação da falta de energia elétrica, queimava muitas válvulas e tinha de buscar em São Paulo. Tocava bastante a música ‘Sem Lenço e Sem Documento’ do Caetano Veloso, mas não tinha nada sobre a questão da ditadura. Era que os jovens da época gostavam de escutar músicas do Movimento do Tropicalismo, ouvir Raul Seixas, até a música  Cálice do Chico Buarque e Gilberto Gil nossa turma cantou numa Missa de São José”, lembrou. 

Nogueira teve de abandonar a área de radiofonia e foi ser feirante vendedor de peixe, comprava o pescado na beirada da Baixa do São José. Mas nunca tirou da mente a certeza de ter vocação para a comunicação de massa. 

Saga do Jornalista Wilson  em Manaus 

Inquieto, Wilson Nogueira começou a viajar para Manaus em busca de espaço. Em 1978, iniciou a jornada como repórter policial na Rádio Baré, antiga Voz da Baricéia, dos Diários Associados, do magnata da comunicação do Brasil Assis Chateaubriand. A colunista social e miss amazonas Therezinha Corrêa Barreto foi quem indicou Wilson Nogueira para a função, pois viu o texto correto e refinado do jovem repórter. 

Naquele ano de 1979, a Rádio Baré era dirigida pelo jornalista Epaminondas Baraúna e funcionava nos altos do prédio situado na Avenida Eduardo Ribeiro, 566. “Eu entrava as 4h da madrugada. Passava nas Delegacias para atualizar tudo para o jornal”, recorda. 

De repórter policial Nogueira passou para o Jornal do Commercio, do mesmo grupo do Diários Associado. Não parou mais de crescer. “Abriram uma vaga de repórter. Teve concurso e vários concorrentes. Fiz o teste e passei. O chefe da redação na época era o jornalista Orlando Farias”, relembra. 

O jornalista Orlando Farias foi o fundador do BlogdaFloresta no começo dos anos 2000, junto com o jornalista Mario Dantas. Ambos já falecidos. 

Wilson Nogueira montou no Jornal Acritica a primeira equipe dos chamados Correspondentes do Interior. Nas principais cidades polos do Amazonas tinha um repórter. Abriu portas e deu oportunidades aos  jovens “focas” e descobriu talentos para o jornalismo na Capital do Amazonas. Os jornalistas costumam dizer que Wilson tem instintos apurados, quando coloca o olho em qualquer lugar ou objeto, de forma aguçado transforma uma pauta singular em pauta universal. 

Mestre Wilson Nogueira e o jornalista Neuton Corrêa do BNC Amazonas.

Wilson Nogueira da UFAM 

A Universidade Federal do Amazonas desde década de 90 entrou na vida de Wilson Nogueira e não saiu mais. A esposa e companheira de vida, a professora e jornalista Maria do Rosário Reis Nogueira se diverte junto com o Wilson no espaço e nos corredores da UFAM. O meio acadêmico é a extensão de Wilson e a professora Rosário, dos filhos e da filha. Também com dona Rosário Nogueira, Wilson faz o que gosta; intervir e fazer militância a parte política. O casal não esconde de ninguém ser admirador da esquerda e do PT, mas respeita as diferença de pensamento. Afinal acima de tudo democracia. Nogueira adora ouvir e falar sobre as mazelas sociais do Amazonas e do Brasil. Contextualizar. 

Na UFAM, Wilson possui a graduação em Ciências Sociais, turma de 1999.  Fez mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia turma de 2002 e Doutorado em Sociedade e Cultura na Amazônia, no ano de 2013. É pós-doutor em Ciências da Comunicação (PPGCCOM/Ufam), todas as titulações pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Tem experiência nas áreas de Sociologia e Comunicação Social, com ênfase em culturas amazônicas e mercado, meios de comunicação e ecossistemas comunicacionais. Memórias de Wilson Nogueira, vem aí…

 

Texto: Hudson Lima

Edição: Mayara Carneiro 

Fotos: Arquivo das redes sociais de Wilson e Maria do Rosário 

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