Casal de mestre sala e porta bandeira posta com troféu do carnaval 2019 na quadra da Mancha Verde Foto Edilson Dantas Agência O Globo
Casal de mestre sala e porta bandeira posta com troféu do carnaval 2019 na quadra da Mancha Verde Foto Edilson Dantas Agência O Globo

SÃO PAULO. A Mancha Verde conquistou pela primeira vez em sua história o título do grupo especial do carnaval de São Paulo. A Dragões da Real ficou em segundo lugar, seguida pela Rosas de Ouro. Maior campeã do carnaval paulistano, com 15 títulos, a Vai-Vai terminou na última colocação e foi rebaixada.

Única escola a tirar só notas 10, a campeã Mancha somou 270 pontos. O desfile da agremiação discutiu escravidão, direitos de negros e mulheres e intolerância religiosa. A escola contou a história das lutas da princesa africana Aqualtune, escravizada no Congo e trazida ao Brasil grávida. Ela é avó de Zumbi dos Palmares, apresentado em um busto no último carro.

Uma ala representou as escravas reprodutoras e trazia passistas com mãos acorrentadas e barrigas de grávidas. Outra ala era toda vermelha, representando o sangue dos escravos. A bateria, que teve Viviane Araújo como rainha pelo 13º ano consecutivo, tinha os seus componentes vestidos de guerreiros africanos.

No ano passado, a Mancha havia ficado em terceiro lugar, mas com a mesma pontuação da campeã, Tatuapé. Perdeu o título pelo critério de desempate.

Em 2019, a escola se reforçou com a contratação do carnavalesco Jorge Freitas, que já havia conquistado quatro títulos do carnaval paulistano em 18 anos de trabalho: dois pela Gaviões da Fiel, um pela Rosas e outro pela Império de Casa Verde.

— Em 19 anos, cinco títulos é uma marca muito forte. O comprometimento plástico que a gente teve foi o que nos trouxe desse resultado no final — disse Freitas, após a apuração.

O carnavalesco ainda exaltou o enredo escolhido:

— É fantástico. A nossa protagonista era uma negra que veio escrava pro Brasil, mas não apenas lutou pelo seu ideal, lutou pelo ideal de sua comunidade. Queria ver toda a comunidade afro libertada da opressão e libertada de tudo que estava sendo castigado. Que isso sirva para todas as mulheres. Vamos lutar, vamos mostrar que a união que faz tudo ser mudado.

Viviane Araújo desfila como rainha de bateria da Mancha Verde pelo 13º ano consecutivo Foto: Miguel Schincariol / AFP
Viviane Araújo desfila como rainha de bateria da Mancha Verde pelo 13º ano consecutivo Foto: Miguel Schincariol / AFP
Casal de mestre-sala e porta-bandeira posta com troféu do carnaval 2019 na quadra da Mancha Verde Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Casal de mestre-sala e porta-bandeira posta com troféu do carnaval 2019 na quadra da Mancha Verde Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

A escola de samba nasceu em 1995 a partir da torcida organizada do Palmeiras, mas nega o rótulo de uma escola de clube de futebol:

— Muita gente aqui pré-julgou a gente, falando que era escola de torcida. Lá tem sambista. E vão ter que engolir porque nós vamos para o bicampeonato, somos sambistas, aprendemos a fazer samba, respeitando todas as irmandades — disse Osvaldo Luís, diretor da ala musical.

Acesse Matéria completa no Portal O Globo