Ligia prestativa para todas as horas de quem necessitava
Ligia prestativa para todas as horas de quem necessitava

Para todo cristão a morada eterna das pessoas extraordinárias em fazer o bem à humanidade é o Céu. Até quem não pratica a religião, espera quando o partir de um ente querido, seja amigo ou familiar, descansar num aconchegante descanso. É para onde imagino está desde ontem a noite, 02 de janeiro de 2019, a minha colega e irmã de coração Ligia Maria Rodrigues de Assis, ou Ligia Loyola.

Aprendi a reconhecer a Ligia como uma irmã, irmã de vida. Pela postura transloucada, barulhenta, às vezes até histérica na defesa dos direitos de quem precisa de direito. A maneira dela, Ligia conseguiu fazer o que muitos de nós, ditos, cidadãos, não conseguimos. Gritar, berrar, denunciar e reclamar a ausência de politicas públicas, principalmente na área da saúde e assistência social. A espontaneidade de Ligia, dizia alguns assistentes sociais, até às vezes, podia atrapalhar, mas era digerida e perdoada. Afinal, queria apenas agilidade à cobertura de um doente, de uma criança fraturada, de uma mãe desesperada, de um pai sem perspectiva, de um filho sem esperança. Não foi um caso, mas dezenas ou centenas, de que quem perdeu alguém, e teve apenas de lembrança  Ligia Loyola na beira do leito, na sala de emergência ou corredor do Hospital. Principalmente em Manaus.

Deveria ser o jeito birrento de ser, herdado dos tios Raimundo Rodrigues e Penteado Rodrigues, duas grandes personalidade a qual tive o privilégio de quando adolescente, conhecer e conviver. O primeiro vereador e um dos criadores do festival de Parintins; o segundo, um dos melhores padeiros empreendedor da Ilha com padarias nos bairros de São Vicente e Nossa Senhora de Nazaré. Tinham temperamento forte e aguerrido, de corações volumosos. Igual a Ligia.

Tua missão minha colega encerrou. O Deus permitiu tua estada nesses 44 anos no convívio de tua família, filhos, filhas e amigos. Aquela branquela  franzina da Rua Álvaro Maia, do Blocos Rubro Negro, Fanática pelo Garantido e Flamengo, da admiração pelo Caprichoso, do Carnailha, do Bloco das Poderosas. Da Jovem que superou as loucuras da década de 80 e 90, com erros e acertos, tornou-se uma “super mulher”. Para alguns amigos virou até a Mulher Maravilha. De tanta ajuda e energia positiva que exalava.

Imagino tua alegria ao ser recebida de braços abertos por Nossa Senhora, a qual sempre devotou e sob o manto do menino Jesus de Nazaré.

Não me imagino chegar a Casa Grande da JAC, hoje de dona Maria, em busca de você  e não ser recebido com teu sorriso, gargalhada e teu abraço de “urso”. Aquele abraço firme e forte.

Tomar umas doze de cachaças ou quem sabe uma taça de vinho. Nem que seja para provar apenas uma cerveja. Mesmo você só dando “corda”, mas não bebendo. Mesmo sendo pandega. Podia se brega e chique, sabia tratar a todos.

Quem sabe dançar um bolero, mesmo eu tri-louco no salão. Nossa última dança, aliás, não acertamos bem os passos. A saudade distante já me bate e abate…

Você não imagina como tua partida prematura deixou nossa Ilha de Parintins comovida. Tantas mensagens, testemunhos de quem recebeu teu auxílio, mensagens positivas. Solidariedade.

Os Ateus dizem “melhor ser reconhecido na vida, depois de morto, não adianta”. Mas isso agora é mero detalhe.

Loyola de peitar qualquer “autoridade” e mesmo levando ralho, conseguir a ajuda necessária. O pagamento? Apenas aquele dizer teu “Eu sou foda mano, conseguir”. E também o lamento quando não podia.

Erros. Temos todos, mas tuas qualidades e acertos apagam qualquer erro. A solidariedade tua fica na história e mente. Até logo Ligia Loyola, do Céu continue a olhar de forma carinhosa e protetora todos teus familiares e amigos…

* Hudson Lima É Jornalista Diretor do site ParintinsAmazonas e site do Koiote