O senador José Maranhao rasga cédulas após o registro de um voto a mais do que o número de senadores Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
O senador José Maranhao rasga cédulas após o registro de um voto a mais do que o número de senadores Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

BRASÍLIA — A Corregedoria doSenado identificou seis senadores como suspeitos de terem errado ou agido de má-fé na votação que elegeu Davi Alcolumbre (DEM-AP) como presidente do Senado, no último dia 2. A informação foi repassada, nesta quarta-feira, pelo corregedor da Casa a Alcolumbre.

A polêmica se trata da primeira tentativa de escolher o presidente do Senado, há pouco mais de duas semanas. A votação foi feita por cédula. Depois de tirarem os votos da urna, constatou-se que havia 82 cédulas depositadas, uma a mais do que o número de senadores.

Depois de muita confusão, a votação foi anulada, sem a contagem dos votos, e repetida. Na segunda eleição, Alcolumbre foi eleito em primeiro turno.

Segundo o presidente do Senado, o corregedor da Casa, Roberto Rocha (PSDB-MA), e equipe assistiram a todas as imagens da votação disponíveis na TV Senado e na segurança da Casa. No caso de seis parlamentares, as cenas gravadas não deixam claro se apenas uma cédula foi depositada na urna de votação.

Os nomes dos suspeitos não foram revelados. Sem avançar nas imagens, Rocha pediu a Alcolumbre a contratação de um perito para ajudar na investigação. Os dois vão conversar sobre o assunto amanhã.

– Ele quer contratar um perito. Vou procurar para saber sobre isso. Talvez, essa contratação possa implicar em gastos para o Senado. Ele quer buscar uma pessoa com know-how para fazer uma apuração transparente – disse o presidente.

Alcolumbre evitou responder sobre as possíveis consequências no caso de comprovação de uma fraude:

– Esses seis nomes podem ter pegado a cédula por engano ou não. Seria injusto fazer um juízo de valor agora. (…) A gente tem de ter cautela. Aquela sessão foi a mais tumultuada do Senado, com muitas candidaturas, muito tensa. A gente tem de aguardar (a apuração).

Texto: Amanda Almeida

O Globo