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quarta-feira, junho 23, 2021

Comandante da PM de Pernambuco é exonerado após ação violenta de agentes em protestos contra Bolsonaro

O comandante da Polícia Militar de Pernambuco, Vanildo Maranhão, pediu exoneração do cargo na noite de terça-feira, três dias após a atuação violenta da PM para dispersar as manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro no último sábado, no Centro do Recife. Ele será substituído pelo coronel José Roberto Santana, que ocupava o cargo de diretor de Planejamento Operacional da PM, e será nomeado nesta quarta.

Apesar da exoneração, o governo estadual informou em nota que as investigações instauradas pela Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social e pela Polícia Civil continuarão, para apurar as responsabilidades pelas agressões praticadas por policiais militares nas manifestações.

“Quero dizer aqui que após analisar incessantemente imagens, relatos e vídeos de todo o ocorrido na manifestação do último sábado, conversei com o secretário de Defesa Social e o comandante da PM sobre minha posição de que aquela ação não condiz com as tradições e valores da Polícia Militar de Pernambuco, uma instituição quase bicentenária e de tantos serviços prestados à nossa população. O coronel Vanildo colocou seu cargo à disposição e aceitei”, afirma em nota o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

O chefe do Execútivo estadual também informou que mais dois agentes foram afastados da PM, além de outros cinco que já haviam sido. Ele agradeceu ao coronel Vanildo “pelos anos de dedicação ao Pacto pela Vida”, e afirmou que conta com o próximo comandante para uma polícia “dura contra o crime, mas que seja guardiã dos direitos humanos e da cidadania”.

“Não uma polícia que atire no rosto das pessoas ou que impeça alguém ferido de ser socorrido, mas uma polícia que represente os anseios de uma sociedade pacífica, plural e democrática. Esses princípios são inegociáveis e deles jamais vamos abrir mão!”, finalizou Câmara.

Mesmo com protestos pacíficos na capital do estado, policiais utilizaram balas de borracha para dispersar os manifestantes e duas pessoas atingidas perderam a visão em um dos olhos. Além dos dois feridos, policiais também agrediram a vereadora de Recife Liana Cirne (PT) durante uma abordagem com uso de spray de pimenta.

Vereadora Liane Cirne (PT) foi agredida por policiais Foto: Reprodução

No último domingo, um dia após os protestos Paulo Câmara negou ter autorizado qualquer tipo de intervenção violenta. Ele também já tinha comunicado que a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social instaurou procedimento para investigar os fatos.

— O oficial comandante da operação, além dos envolvidos na agressão à vereadora Liana Cirne (agredida durante a abordagem com uso de spray de pimenta) permanecerão afastados de suas funções enquanto durar a investigação. Sempre vamos defender o amplo diálogo, o entendimento e o fortalecimento das nossas instituições dentro da melhor tradição democrática de Pernambuco — afirmou Câmara na semana passada.

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) já havia anunciado nesta segunda que também abriu um inquérito para investigar a atuação da Polícia Militar nos protestos. O órgão classificou a atuação da PM como “ilegal e arbitrária”, e afirmou que vai investigar possíveis violações de direitos humanos por parte dos agentes que atuaram nos atos. A apuração do governo também será acompanhada pelo Ministério Público estadual.

ACESSE AQUI O GLOBO

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