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Em menos de 24h, o Amazonas registrou 1.134 casos confirmados do novo coronavírus e 102 novas mortes. Conforme boletim epidemiológico desta quarta-feira (6), divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), agora, o estado totaliza 9.243 casos de Covid-19 e 751 mortes já foram causadas pela doença. Por conta do descumprimento das recomendações de isolamento social, o Ministério Público entrou com uma ação na Justiça pedindo que seja determinado “lockdown” em todo o estado.

Um levantamento aponta que, em um mês, apenas metade da população do Amazonas respeitou a medida de isolamento social decretada pelo governo. O Governo do Amazonas, informou, por meio de assessoria, que o aumento expressivo no número de novos casos é reflexo da ampliação da rede de diagnóstico e do aumento da testagem no estado.

De acordo com o boletim da FVS-AM, dos 9.243 casos confirmados no Amazonas até esta quarta-feira (6), 5.474 são de Manaus (59,22%) e 3.769 do interior do estado (40,78%).

Além da capital, 53 municípios já têm casos confirmados: Manacapuru (630); Parintins (311); Tabatinga (266); Santo Antônio do Içá (206); Iranduba (195); Rio Preto (175); Coari (161); Itacoatiara (160); Maués (150); Tefé (150); Careiro Castanho (134); São Paulo de Olivença (122); Presidente Figueiredo (118); Carauari (117); Autazes (109); Tonantins (69); Amaturá (63); Boca do Acre (59); Anori (56); Benjamin Constant (50); Urucará (39); Silves (31); São Gabriel da Cachoeira (30); Nova Olinda do Norte (29); Tapauá (29); Fonte Boa (24); Maraã (24); Manaquiri (23); Lábrea (22); Itapiranga (18); Careiro da Várzea (17); Novo Airão (17); Barreirinha (16); Beruri (16); Urucurituba (14); Novo Aripuanã (13); Borba (11); Jutaí (11); Boa Vista do Ramos (10); e Barcelos (9).

Os municípios de Eirunepé e Manicoré têm 8 casos cada um. Caapiranga, Codajás e São Sebastião do Uatumã têm 7 casos cada um. Santa Isabel do Rio Negro tem 6 casos. Canutama e Humaitá tem 5 casos cada um. Anamã e Nhamundá tem 4 casos cada um. Alvarães tem 2 casos. Os municípios com apenas um caso confirmado são: Atalaia do Norte e Juruá.

Do total de mortes confirmadas para o novo coronavírus, 532 foram registradas em Manaus e 219 no interior do estado, com óbitos em 33 municípios. Outros 101 óbitos estão em investigação e 40 foram descartados para o novo coronavírus.

O boletim aponta que 5.802 pessoas com diagnóstico de Covid-19 estão em isolamento social ou domiciliar. De terça-feira (5) para esta quarta (6), mais 189 pessoas se recuperaram da doença e estão fora do período de transmissão do vírus, totalizando agora 2.286 recuperados.

Entre os casos confirmados de Covid-19 no Amazonas, há 404 pacientes internados, sendo 245 em leitos clínicos (68 na rede privada e 177 na rede pública) e 159 em UTI (66 na rede privada e 93 na rede pública). Há ainda outros 904 pacientes internados considerados suspeitos e que aguardam a confirmação do diagnóstico. Desses, 679 estão em leitos clínicos (207 na rede privada e 472 na rede pública) e 225 estão em UTI (97 na rede privada e 128 na rede pública).

O Governo do Amazonas informou que o aumento no número de casos novos é reflexo da ampliação da rede de diagnóstico e do aumento da testagem. Essa ampliação, conforme o governo, teve início no dia 28 de abril, quando o Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) anunciou uma parceria com a Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e a Fiocruz Amazônia para aumentar em cerca de 30% o processamento dos exames de Covid-19 por meio da técnica RT-PCR (biologia molecular).

Atualmente, o Lacen-AM entrega cerca de 720 resultados por dia, em regime de trabalho de 24h, de acordo com o governo. Em paralelo, a FMT-HVD tem capacidade para analisar, no mínimo, 200 amostras por dia, enquanto a Fiocruz Amazônia consegue processar pelo menos 100 exames diários. Uma semana após a descentralização dos diagnósticos, os dois laboratórios parceiros já liberaram aproximadamente 1.000 resultados cada.

Pedido de ‘Lockdown’ no AM

Uma ação do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE) ingressada na Justiça, nessa terça-feira (5), pede que o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus adotem o “lockdown”, no prazo de 24h, sob pena de multa diária de R$ 100 mil, podendo usar as forças de segurança pública e guarda municipal, pelo prazo inicial de 10 dias. A ação está sendo analisada pelo juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual.

A ação leva em consideração o aumento da curva de contágio do novo coronavírus no Amazonas. O “lockdown” é caracterizado pelo bloqueio total de circulação de pessoas, mais restritivo que o isolamento social. Um levantamento da empresa Inloco aponta que, no primeiro mês da quarentena no Amazonas, apenas metade da população respeitou medida de isolamento social decretada pelo governo.

O governador Wilson Lima afirmou, no início deste mês, que vai analisar o aumento de casos de Covid-19 no Amazonas até o dia 13 de maio, quando encerra o decreto que suspende atendimento público em serviços não essenciais, para decidir se vai fechar todo o comércio ou relaxar a quarentena. Nessa terça-feira, o prefeito de Manaus, Arthur Neto, afirmou que a medida de “lockdown” é arriscada e sugere que “deveria haver uma reunião mais ampla, envolvendo o prefeito e o governador”.

Na ação ingressada pelo MPE, um dos pedidos é que os órgãos públicos se abstenham de flexibilizar qualquer medida de isolamento social, sem que tenham alcançado a liberação de leitos públicos, clínicos e de UTI COVID-19, na margem de no mínimo 40%. Atualmente, o sistema público de saúde vive um colapso por conta da pandemia, com cerca de 90% dos leitos ocupados.

O número de mortes em Manaus disparou desde o início da pandemia do novo coronavírus até o dia 25 de abril e está 108% acima da média histórica. Em uma análise entre os dias 21 e 28 de abril, a quantidade de mortes por síndromes respiratórias e causas indeterminadas no Amazonas aponta que o número de pessoas que morreu por Covid-19 pode ser sete vezes maior do que o divulgado oficialmente.

Medidas mais extremas também foram adotadas no maior cemitério público da capital: caixões são enterrados em valas comuns, caixões enterrados empilhados – medida cancelada após revolta de familiares – e instalação de contêineres frigoríficos para comportar corpos que aguardam o enterro. /// Por G1 AM