Bombeiros do Pará

A análise de 104 indicadores revela que no primeiro ano do governo Bolsonaro houve no Brasil uma piora em áreas como assistência social, saúdeeducação e meio ambiente, equilíbrio nos números da economia e melhora nas estatísticas da criminalidade e emprego, com a ressalva, nesse último caso, de que o tímido avanço foi acompanhado da expansão da informalidade. É o que aponta levantamento feito e publicado pela Folha de S.Paulo neste domingo (16).

De acordo com a pesquisa, 58 indicadores do país apresentaram resultados piores do que em 2018 ou outro período de comparação mais adequado, 41 registraram avanços e cinco permaneceram estáveis. Entre os principais problemas está a área social. A reportagem ressalta que o Bolsa Família voltou a ter fila de espera para as pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza, cerca de 1 milhão de famílias. A cobertura do programa recuou e o governo congelou o benefício mesmo nas regiões mais carentes.

A faixa do Minha Casa, Minha Vida voltada às famílias mais pobres sofreu com atrasos nos repasses a construtoras, e o número de imóveis entregues caiu 57%.  Falta de pessoal e deficiências estruturais também formaram uma fila de 1,3 milhão de pessoas com análise atrasada de pedidos de benefícios no INSS.

Meio ambiente

Folha destaca que houve retrocesso também no meio ambiente, na reforma agrária e na política indigenista. O desmatamento na Amazônia cresceu 29,5%. As queimadas, 86%. Já as multas por crimes ambientais aplicadas pelo Ibama caíram cerca de 25%, destaca a Folha. Desde a posse de Bolsonaro não houve demarcação de terra indígena nem mesmo declaração (autorização para a área ser demarcada). A reforma agrária foi praticamente paralisada.

Economia

O levantamento mostra que os indicadores econômicos encerraram 2019 em proporção de igualdade, na gestão do ministro Paulo Guedes. Houve piora em 28 e melhora em outros 28 pontos. O destaque pelo lado negativo ficou com o comércio exterior. A balança comercial fechou 2019 mais fraca, e a corrente de comércio foi reduzida. As contas externas registraram um rombo de US$ 50,8 bilhões (R$ 218,3 bilhões), o maior em quatro anos.

Houve também queda no índice de confiança do consumidor e na produção industrial. A situação dos estados também piorou, com aumento do número de entes que desrespeitaram o limite de gastos com pessoal e pioraram a capacidade de honrar dívidas. Em relação ao emprego, houve registro de dados positivos, como a criação de mais 644 mil novas vagas com carteira assinada, e negativos, como o aumento em 3,2% na informalidade dos trabalhadores brasileiros.

A reportagem aponta que, entre os dados positivos, houve avanço nos resultados da Bolsa, no consumo das famílias e na redução de 207 para 99 pontos no risco-país, termômetro informal da confiança dos investidores. A taxa básica de juros da economia chegou a 4,5% (hoje está em 4,25%).

Educação

Folha lembra que 2019 foi um ano de conturbações políticas, paralisia operacional e troca de comando no Ministério da Educação. O congelamento de recursos do MEC resultou em cortes de investimentos, como o cancelamento de 8% das bolsas de pesquisas. Investimentos em educação básica e superior regrediram. Houve indicadores positivos de matrículas, como a alta de alunos em creche e em escolas de tempo integral, que são resultados mais relacionados a esforços dos municípios e estados.

Saúde

Na saúde, três indicadores apresentaram melhora e oito tiveram piora. As estatísticas apontam melhoras no total de equipes de saúde, no atendimento a consultas especializadas e nos recursos para atenção básica. Entre os pontos negativos registrados pela reportagem estão a queda no número de médicos na atenção primária, a mortalidade por causas inespecíficas ou incompletas, o crescimento das internações por pneumonia em menores de cinco anos, a queda no número de leitos hospitalares e o aumento no número de casos de sarampo.

Segurança pública e democracia

Na segurança pública, cuja responsabilidade maior é dos estados, caiu o registro de taxas de homicídio, lesão corporal seguida de morte e latrocínio. Mas, se os resultados foram positivos nessa área, não há o que se comemorar nos indicadores referentes à democracia e à liberdade de imprensa.

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Pesquisa nacional realizada pelo Datafolha em dezembro indicou que, em comparação a outubro de 2018, a taxa de brasileiros que apoiam a democracia como a melhor forma de governo recuou sete pontos percentuais, de 69% para 62%, enquanto cresceu nove pontos percentuais a taxa de indiferentes, de 13% para 22%. A parcela de brasileiros que prefere a ditadura à democracia em certas circunstâncias ficou igual (12%).

O primeiro ano do governo Bolsonaro também foi preocupante para a liberdade de imprensa. Segundo relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), foram registrados 208 casos em 2019 contra 135 em 2018, alta de 54%. O presidente Jair Bolsonaro foi o responsável por 114 casos de descredibilização da imprensa. Dois jornalistas foram assassinados no ano passado em razão do exercício da atividade, segundo a Fenaj, contra um em 2018 e nenhum em 2017. Agressões físicas subiram 7 %, As verbais, 10%. /// Por Congresso Em Foco