Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro divulgou uma nota confirmando a demissão do ex-secretário da Cultura Roberto Alvim, que está sendo criticado por ter parafraseado o ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, ao divulgar o novo prêmio do governo para a Cultura. No documento, Bolsonaro disse que esse “pronunciamento infeliz” tornou “insustentável” a permanência de Alvim no cargo.

“Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência”, afirmou o presidente na nota divulgada pelo Palácio do Planalto, no início da tarde desta sexta-feira (17).

No documento, Bolsonaro ainda manifestou apoio à comunidade judaica e disse que repudia “ideologias totalitárias e genocidas” como o de Adolf Hitler. “Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas. Manifestamos também nosso total e irrestrito apoio à comunidade judaica, da qual somos amigos e compartilhamos valores em comum”, disse o presidente.

O posicionamento oficial de Bolsonaro sobre o caso foi publicado após fontes palacianas anteciparem que o presidente havia decidido pela demissão de Alvim por conta da repercussão negativa das falas do ex-secretário da Cultura. Após a demissão, o vídeo foi retirado das redes sociais da secretaria.

Enquanto o governo decide um substituto, assume com interino o secretário-adjunto, José Paulo Soares Martins. O secretário temporário é ex-diretor do Instituto Gerdau e da Fundação Iberê Camargo.

Vídeo provocou reações no Congresso

Em vídeo publicado na noite dessa quinta-feira (16), Roberto Alvim parafraseou um discurso nazista para dizer que, a partir de agora, a arte brasileira seria heroica, nacional e imperativa. O discurso foi criticado por políticos de todas as correntes ideológicas e por entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil e a Confederação Israelista. Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) cobrou a demissão de Alvim. E o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que é judeu, disse que era inadmissível ter representantes políticos que apoiem o nazismo.

Antes do anúncio da demissão, deputados e senadores já se mobilizavam para pedir a convocação do agora ex-secretário, para prestar esclarecimentos sobre o caso. Eles prometem que as punições serão solicitas, independente de Alvim estar ou não no governo.

A oposição entende que o cineasta cometeu crimes como o de racismo e, por isso, vai apresentar denúncias contra o ex-secretário na Procuradoria Geral da República (PGR) e na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC).

O Psol afirma que Alvim que o discurso de Alvim configura apologia ao crime e incitação do crime, além de se enquadrar na lei de racismo. Já o líder da Oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vai apresentar uma notícia-crime pedindo que Alvim seja processado pelo crime de apologia ao nazismo. Líder da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ) tem o mesmo entendimento e também vai pedir que as medidas judiciais cabíveis sejam tomadas contra o ex-secretário de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, só que na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC). /// Por Congresso em foco