Bancos vão abrir aos sábados para renegociar dívidas, diz Campos Neto

Sérgio Lima/Poder360 - 26.fev.2019

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que há 1 projeto da autoridade monetária para os bancos abrirem as agências aos sábados ou após o horário comercial para renegociar dívidas dos clientes.

O “Projeto Mutirão”, como se referiu, vai permitir com que os correntistas diminuam ou aumentem o número de parcelas das pendências financeiras e, em troca, teriam que fazer 1 curso de educação financeira.
Campos Neto participa de audiência pública que ocorre na manhã desta 4ª feira (6.nov.2019) na Comissão de Finanças e Tributação na Câmara. De acordo com ele, o projeto terá 1 alcance grande, permitindo diminuir a inadimplência.

Outra proposta do BC é usar a tecnologia para aumentar os índices de consumidores que são bons pagadores. As pessoas que fizerem cursos online e tiverem exposição financeira terão uma elevação nas notas, permitindo ter acesso a crédito mais barato.

Aos congressistas, Campos Neto disse que a tarefa mais importante do BC neste momento é fazer com que a política monetária tenha mais potência de chegar na ponta, e possibilitar a cobrança de juros mais baixos.
A taxa básica Selic, que norteia a cobrança de juros no país, está no menor patamar da história e com viés de baixa. Na reunião de outubro, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu o percentual de 5,5% para 5% ao ano. O comunicado do colegiado sinalizou 1 novo corte de igual magnitude, levando a taxa para 4,5% ao ano na próxima reunião, em dezembro.

Roberto Campos Neto disse que a tarefa do Banco Central é criar condições para que as instituições financeiras reduzam os juros. De acordo com ele, há vários fatores que impedem a diminuição estrutural das taxas. Um deles é a média de recuperação de crédito.

As instituições financeiras no mundo emergente recuperam 52% do crédito inadimplido, enquanto no Brasil, 15%. Além disso, enquanto estas nações demoram 1,7 anos para conseguir estes valores, o Brasil demora 4 anos. “No mundo de juros altos, se leva 4 anos e recupera 15%, então, na verdade, não se recuperou nada”, afirmou Campos Neto.

Ele disse que os créditos emergenciais, como cheque especial, são regressivos e punem os mais pobres. Isso porque a grande maioria do consumidor usuário deste produto financeiro são pessoas que têm até dois salários mínimos, sendo que 67% tem até o ensino médio completo. Campos Neto enfatizou que é preciso medidas para reduzir os juros do financiamento. /// Fonte: Poder360