Análise: 'O rosto do herói', por Lázaro Ramos

Chadwick Boseman partiu para Wakanda. São muitas mortes que aconteceram em agosto: dona Chica Xavier, professor Jorge Portugal, o historiador Jaime Sodré… Todos ícones para várias gerações. Chadwick representa o rosto de um mundo ideal. Quem não queria morar em Wakanda? Eu, já um pai de família, adulto, me tornei criança e sonhei com esse herói negro e com aquele mundo em que as cores e as atitudes eram exemplos para os meus desejos inimagináveis. 

Tão jovem, Chadwick já tinha emprestado seu rosto para personagens como o jogador Jackie Robinson (42), o cantor James Brown (Get on Up), o juiz Thurgood Marshall (Marshall: Igualdade e Justiça) e, mais recentemente, interpretou Norman Earl “Stormin’ em Destacamento Blood, do Spike Lee. Todos eles referências para a gente se encontrar e se perceber possível. 

Os heróis que ele viveu são importantes, portanto, para as nossas formações coletiva e individual. E todos são filmes que, além de tudo, nos entretém – os rolezinhos de jovens negros e negras indo aos cinemas em grupos gigantescos para assistir Pantera Negra é uma imagem inesquecível e a comprovação de como essa história alimentou o nosso orgulho de sermos quem somos.

Fiquei triste porque num ano tão duro como 2020 a morte deste rosto heroico é por demais forte para não ser simbólica. Fica aqui minha gratidão e o pensamento de que tal qual ele diz em Pantera Negra “a morte não é o fim… é mais um ponto de partida”. Que a gente possa se inspirar nesses heróis negros que ele viveu e construir outros para termos forças para seguir. /// Lázaro Ramos, Especial para o Estado