foto: AFP / NELSON ALMEIDA

“Meu coração é comunidade/ Faz o sonho acontecer!/ Pompéia guerreira, chegou sua hora/ Seu manto reluz o poder do saber”. O samba-enredo nota 10 da Águia de Ouro e todo o conjunto da obra da escola de samba foram contemplados nesta terça-feira (25/2) com o título do carnaval de São Paulo. Com um score final de 269,9 pontos, a agremiação fundada em 1976 chegou ao título inédito no Sambódromo do Anhembi.

Neste ano, a escola desfilou com um enredo que mostrou a evolução do conhecimento humano, intitulado “O Poder do Saber – Se saber é poder… Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Na avenida, a Águia de Ouro mostrou a história da sabedoria em ordem cronológica, desde a Idade da Pedra.

A escola ainda reservou espaço para destacar causas importantes, como a educação. Em um carnaval bastante politizado, a agremiação não ficou de fora, e fez homenagens ao educador Paulo Freire ao destacar, durante o desfile, uma das frases mais célebres ditas por ele: “não se pode falar de educação sem amor”.

Um “viva Paulo Freire” foi o ponto de exclamação da lembrança ao professor, referência internacional da educação contemporânea, e que é um dos principais alvos de ataques do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Educação, Abraham Weintraub.

A Águia de Ouro dividiu a apresentação no Anhembi em 26 alas. Os destaques ficaram por conta do setor nomeado “Saber Respeitar a Diversidade”, que contou com a presença de pessoas cadeirantes, e do setor intitulado “Partilhar as Riquezas Monetárias”, no qual os integrantes se vestiram de fantasias douradas e adornadas com cifrões.

Outro componente do desfile que chamou a atenção foi a presença de um carro alegórico que relembrou a destruição provocada pela bomba atômica que atingiu a cidade de Hiroshima, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial.

O carro foi minimamente detalhado, e contava com a representação da fumaça da bomba, à frente, e com a simulação de um prédio em chamas, atrás, onde mais de 100 pessoas contracenavam a agonia provocada pelos efeitos da bomba. A ideia da Águia de Ouro foi alertar que o conhecimento humano também pode ser usado para a destruição.

A conquista inédita veio após uma apuração recheada de emoções. Desde o início da leitura das notas, a Acadêmicos do Tatuapé assumiu a ponta. A agremiação da Zona Leste paulistana ficou na liderança até o início do penúltimo quesito, Alegoria, mantendo um décimo de diferença para Águia de Ouro e Mocidade Alegre, e dois, para a Mancha Verde. No entanto, após receber duas notas inferiores a 10, a Tatuapé foi ultrapassada por Águia e Mancha.

No quesito final, Bateria, a Águia recebeu 10 de todos os jurados e pôde, enfim, soltar o grito de campeã com diferença de apenas um décimo para a Mancha. “Eu não sei nem o que falar. Não sei o que estou sentindo, eu estou muito feliz. A comunidade da Pompeia está há 44 anos atrás desse título. Águia de Ouro sempre foi grande”, disse o mestre Juca, da Águia.

Graças ao primeiro lugar, a agremiação será premiada pela Secretaria Municipal de Turismo de São Paulo com R$ 82.504,50. Além disso, a escola voltará ao Sambódromo do Anhembi no próximo sábado (29/2), para o desfile das campeãs.

Também participarão da comemoração a Mancha Verde, segunda colocada com 269,8 pontos (que receberá R$ 71,503,90), a Mocidade Alegre, terceira colocada com 269,7 pontos (R$ 71.503,90), a Acadêmicos do Tatuapé, quarta colocada com 269,7 pontos (R$ 60.503,40) e a Unidos de Vila Maria, quinta colocada com 269,5 pontos (R$ 60.503,40).

Na outra ponta da tabela de classificação, as últimas colocadas foram a X-9 Paulistana, com 268,4 pontos, e a Pérola Negra, com 267,6 pontos. Ambas foram foram rebaixadas e disputarão o Grupo de Acesso em 2021. /// Correio Braziliense