Nelson Simeão, de 84 anos, em sua floricultura no Brooklin, zona sul de São Paulo; após fazer placa pedindo ajuda de clientes, moradores fizeram campanha nas redes para ele não fechar. Foto: Daniel Teixeira/Estadão-31/7/2020

O fechamento das portas de pequenos empreendimentos durante a crise provocada pelo coronavírus sensibilizou os consumidores, que passaram a optar por consumir mais dos negócios locais. Várias campanhas tomaram as redes para a conscientização dos clientes, além das iniciativas de grandes empresas para dar suporte aos empreendedores menores. A Pesquisa de Consumo de Ferramentas Digitais, produzida pelo Facebook em parceria com a Deloitte, reafirma essa mudança de comportamento: 73% dos consumidores pesquisados no Brasil relataram que começaram a comprar de novos pequenos negócios (do seu ou de outros bairros) desde o início da crise.

Dentre eles, pelo menos 48% indicam que foram motivados a comprar de negócios locais pela preocupação com a sobrevivência dos negócios e de suas próprias comunidades. “Isso é bastante relevante pois, pela primeira vez, mostra que as pessoas estão mudando seu comportamento também por cuidado com o próximo”, afirma Denis Caldeira, diretor de Pequenas Empresas do Facebook na América Latina.

Outro ponto destacado pelos entrevistados na pesquisa, divulgada com exclusividade pelo Estadão PME, é que 67% deles começaram a comprar de novas pequenas empresas porque elas ofereciam melhores ofertas ou um serviço mais rápido. Quanto ao futuro, a pesquisa aponta que 39% dos consumidores afirmam esperar gastar mais em pequenas empresas (de seu próprio bairro ou não).

As redes sociais abriram portas para os consumidores encontrarem esses pequenos negócios locais, como a floricultura de Nelson Simeão ou a alfaiataria de Odiney Pedroso. De acordo com o levantamento, 54% dos entrevistados que começaram a fazer compras em novas pequenas empresas relataram que as plataformas sociais, como Instagram (que pertence ao Facebook), os ajudaram a descobrir esses negócios.

“Os empresários precisam estar conscientes desta mudança gerada pela pandemia, até para que possam se planejar para o novo cenário. Uma forte presença online, com a digitalização dos negócios, mostrou-se a grande aliada neste processo, com as empresas encontrando novas maneiras para interagir com seus clientes e vender”, diz Denis.

Vendas digitais e fluxo de caixa

Outro levantamento divulgado pelo Facebook é a terceira edição do Relatório do Estado Global das Pequenas Empresas, em parceria com o Banco Mundial e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

Essa edição da pesquisa foi realizada entre 24 e 30 de julho, com pelo menos 321 respondentes no Brasil, e aponta que 59% das PMEs tiveram 25% ou mais das suas vendas provenientes do comércio eletrônico. Dentre elas, 47% viram metade ou mais da sua receita oriunda de vendas online. 

Contudo, o aumento das vendas digitais não é suficiente para muitas delas. De acordo com a última edição do relatório, cerca de um terço (32%) das PMEs que relataram que foram fechadas citaram os desafios financeiros como o principal motivo do fechamento e isto inclui o Brasil. Ainda segundo o levantamento, o fluxo de caixa ainda é uma preocupação e um desafio para os próximos meses para pelo menos 48% dos empreendedores entrevistados. 

“O Brasil e outros países da América Latina têm nas PMEs a principal força geradora de empregos, sendo a espinha dorsal da economia. E estas empresas têm em comum recursos limitados para lidar com as pressões financeiras que a pandemia impôs”, aponta Denis Caldeira, diretor de Pequenas Empresas do Facebook na América Latina.

Mesmo com as dificuldades, parte dos empreendedores se mantêm otimistas. “Ao longo dos últimos três meses da pesquisa vimos que o otimismo das PMEs brasileiras quanto ao futuro oscilou, mas segue relativamente estável”, aponta Denis.

Ele explica que, na primeira edição do relatório, 43% das empresas se mostravam otimistas. Na segunda, quando algumas medidas de reabertura já estavam sendo adotadas, este número saltou para 58% e, agora, caiu 6 pontos percentuais, chegando a 52%. /// Por Anna Barbosa, O Estado de S.Paulo * Estagiária sob a supervisão da editora do Estadão PME, Ana Paula Boni