Médicos e enfermeiros atendem paciente na UTI do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo Foto: Tiagp Queiroz/Estadão

Pouco mais de três meses após registrar seu primeiro óbito por covid-19, o Brasil superou neste sábado, 20, a triste marca de 50 mil mortos pela doença. Em 95 dias, houve o registro de que 50.058 pessoas perderam a vida no País em decorrência da infecção pelo novo coronavírus. A primeira vítima morreu em 17 de março, quando a pandemia já matava milhares na Ásia e Europa. O Brasil, porém, não soube aproveitar a chance de aprender com a experiência de outras nações.

Enquanto a curva de casos e óbitos subia, ocorreram duas quedas de ministros da Saúde, houve discursos divergentes de autoridades federais, estaduais e municipais e os afetados sofrem com os atrasos na compra e entrega de testes, leitos, respiradores e outros recursos fundamentais para aumentar as chances de sobrevivência dos infectados.

O Brasil é atualmente o segundo país com mais vítimas, com o agravante de que o número diário de mortos não dá sinais de recuo. Após um isolamento social falho, que não freou suficientemente o avanço do vírus, o desafio agora é fazer com que os planos de reabertura, vistos com ressalvas por especialistas, não levem a um descontrole ainda maior da transmissão.

Os brasileiros vítimas da pandemia deixam pais, filhos, mulheres, maridos. Amigos e amigas. A maioria tinha algum fator de risco, mas outros tantos não resistiram mesmo sendo jovens e sem doença crônica.

Para quem perdeu um parente ou amigo, estar ou não no grupo de risco não importa. A dor da perda repentina por uma doença desconhecida machuca igual. Machuca muito. Machuca para sempre. A perda torna-se ainda mais dura quando nem sequer a despedida é permitida. Por causa do risco de contaminação, as vítimas são enterradas em caixões lacrados, sem direito a velório. /// Redação – Estadão